A Dualidade Humana: Entre o Instinto de Vida e o Desejo pela Paz

Você sabia que, ao longo de 2,5 milhões de anos, o ser humano manteve padrões comportamentais semelhantes?
    Apesar das mudanças culturais e tecnológicas, nossas ações ainda estão baseadas em duas pulsões fundamentais, como descrito por Freud em sua teoria das pulsões (1920). Essa teoria permanece relevante e, possivelmente, continuará sendo no futuro.

    Freud definiu a pulsão como uma energia gerada internamente pelo organismo para satisfazer uma necessidade, diferindo de estímulos que são originados externamente. Essas pulsões podem ser divididas em duas categorias principais: o amor (ou instinto de vida) e a morte (ou instinto de morte).

O Instinto de Vida (Eros)

    Os instintos de vida englobam todas as forças que promovem a sobrevivência e a continuidade da espécie. Aqui estão incluídos os desejos orgânicos, como fome, sede, necessidade de evitar a dor e, claro, os instintos sexuais. Esses comportamentos refletem a busca por união, cooperação e ações pró-sociais, que ajudam a preservar tanto o indivíduo quanto o grupo ao qual pertence.

O Instinto de Morte (Thanatos)

    Por outro lado, o instinto de morte se relaciona com a busca pela ausência de estimulação e pelo descanso absoluto. Segundo Freud, “o objetivo de toda vida é a morte” — não em um sentido mórbido, mas como a busca pela paz e pela quietude. É a pulsão que nos move em direção ao fim da tensão, seja por meio do sono, da meditação ou mesmo da busca por estabilidade e segurança.

    Quando essas pulsões acumulam-se sem liberação, podem gerar conflitos internos, manifestando-se como neuroses ou comportamentos disfuncionais. Por isso, constantemente liberamos essas energias em interações sociais, trabalho, hobbies e outros comportamentos.

A Correspondência com os Princípios Herméticos

A dualidade dos comportamentos humanos pode ser compreendida também através dos princípios estruturantes do universo, como descrito por Hermes Trismegisto (1.500 a.C - 2.500 a.C) nas 7 Leis Herméticas. Duas dessas leis reforçam a ideia de Freud:

  1. Princípio da Correspondência
    Este princípio afirma que “o que está em cima é como o que está embaixo; o que está dentro é como o que está fora”. Assim, o instinto de vida está interligado ao instinto de morte, como duas faces da mesma moeda.

  2. Princípio da Polaridade
    Aqui, encontramos a ideia de que “tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto”. Vida e morte não são conceitos absolutos, mas extremos que se tocam. Desejamos ambos: a vida, que alimenta nosso libido (desejos orgânicos), e a morte, que oferece a paz interior derivada da quietude dos desejos.

Exemplos Contemporâneos

Para ilustrar, vejamos como essas pulsões aparecem no dia a dia. A busca por ascensão profissional, alimentação saudável e ser amado são exemplos de desejos que satisfazem os instintos de vida. Por outro lado, a estabilidade financeira, menos horas de trabalho e mais tempo de qualidade com a família representam o desejo de alcançar paz e tranquilidade, alinhado ao instinto de morte.

Essa dualidade permeia as decisões humanas: ao mesmo tempo que buscamos conquistas externas, ansiamos pela liberdade das demandas orgânicas e pelo equilíbrio interno.



Reflexão: Como Podemos Evoluir?

Compreender essas duas forças em ação nos ajuda a equilibrar nossas escolhas. Ao alinhar nossas metas aos instintos básicos, podemos transformar nossos desejos em comportamentos mais saudáveis e satisfatórios. E aqui surge a próxima questão: quais caminhos podemos trilhar para evoluir, harmonizando o desejo de conquista com a busca pela paz interior?

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