A Dualidade Humana: Entre o Instinto de Vida e o Desejo pela Paz
Freud definiu a pulsão como uma energia gerada internamente pelo organismo para satisfazer uma necessidade, diferindo de estímulos que são originados externamente. Essas pulsões podem ser divididas em duas categorias principais: o amor (ou instinto de vida) e a morte (ou instinto de morte).
O Instinto de Vida (Eros)
Os instintos de vida englobam todas as forças que promovem a sobrevivência e a continuidade da espécie. Aqui estão incluídos os desejos orgânicos, como fome, sede, necessidade de evitar a dor e, claro, os instintos sexuais. Esses comportamentos refletem a busca por união, cooperação e ações pró-sociais, que ajudam a preservar tanto o indivíduo quanto o grupo ao qual pertence.
O Instinto de Morte (Thanatos)
Por outro lado, o instinto de morte se relaciona com a busca pela ausência de estimulação e pelo descanso absoluto. Segundo Freud, “o objetivo de toda vida é a morte” — não em um sentido mórbido, mas como a busca pela paz e pela quietude. É a pulsão que nos move em direção ao fim da tensão, seja por meio do sono, da meditação ou mesmo da busca por estabilidade e segurança.
Quando essas pulsões acumulam-se sem liberação, podem gerar conflitos internos, manifestando-se como neuroses ou comportamentos disfuncionais. Por isso, constantemente liberamos essas energias em interações sociais, trabalho, hobbies e outros comportamentos.
A Correspondência com os Princípios Herméticos
A dualidade dos comportamentos humanos pode ser compreendida também através dos princípios estruturantes do universo, como descrito por Hermes Trismegisto (1.500 a.C - 2.500 a.C) nas 7 Leis Herméticas. Duas dessas leis reforçam a ideia de Freud:
- Princípio da CorrespondênciaEste princípio afirma que “o que está em cima é como o que está embaixo; o que está dentro é como o que está fora”. Assim, o instinto de vida está interligado ao instinto de morte, como duas faces da mesma moeda.
- Princípio da PolaridadeAqui, encontramos a ideia de que “tudo é duplo, tudo tem dois polos, tudo tem o seu oposto”. Vida e morte não são conceitos absolutos, mas extremos que se tocam. Desejamos ambos: a vida, que alimenta nosso libido (desejos orgânicos), e a morte, que oferece a paz interior derivada da quietude dos desejos.
Exemplos Contemporâneos
Para ilustrar, vejamos como essas pulsões aparecem no dia a dia. A busca por ascensão profissional, alimentação saudável e ser amado são exemplos de desejos que satisfazem os instintos de vida. Por outro lado, a estabilidade financeira, menos horas de trabalho e mais tempo de qualidade com a família representam o desejo de alcançar paz e tranquilidade, alinhado ao instinto de morte.
Essa dualidade permeia as decisões humanas: ao mesmo tempo que buscamos conquistas externas, ansiamos pela liberdade das demandas orgânicas e pelo equilíbrio interno.
Reflexão: Como Podemos Evoluir?
Compreender essas duas forças em ação nos ajuda a equilibrar nossas escolhas. Ao alinhar nossas metas aos instintos básicos, podemos transformar nossos desejos em comportamentos mais saudáveis e satisfatórios. E aqui surge a próxima questão: quais caminhos podemos trilhar para evoluir, harmonizando o desejo de conquista com a busca pela paz interior?





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